Pelo Chão dos Territórios

Se não encontrarmos um chão
Com humos, terra fértil
Trataremos com carinho este território.
Pois lá a humanidade se reconstrói.
Mesmo que o chão estiver seco
Vamos regá-lo, revirá-lo
Para que fértil se faça.
Se a chuva não for suficiente
Vamos captar água na fonte.

Se o sol estiver escondido
Se as bocas estivem cerradas
Se as resistências forem muitas
Portas fechadas, olhares obtusos.

Vamos ser brilho com nossa presença
Vamos pacientes cativar pelo nosso sorriso
Conscientes e cientes do que propomos,
Com nossa empatia e outricidade
Para abrir outras trilhas com marcas sustentáveis
Para estabelecer um olhar profundo
Transformador de pessoas e territórios.
Isso tudo poderá agregar e romper barreiras
Mesmo que o tempo previsto
Seja um pouco mais alongado.

Se os espaços se fecharem
Vamos com leveza procurar outras pistas,
Novos sinais que indicarão o caminho.
Se o cansaço se abater,
Vamos buscar a mão amiga.
E se as palavras não saírem
Conforme preparadas
Vamos cativar com nosso olhar
Com nossa confiança.

E se mesmo nada, nada
Pudermos fazer ao nosso alcance,
Apenas ouviremos, com nossa presença ativa
A voz do silêncio que dialoga com a alma
Que enaltece a condição humana
Como elemento preparatório do amanhã.

Paulo Bassani é sociólogo e bolsista do Núcleo de Cooperação Socioambiental do Norte do Paraná.

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